O sol que nasce da aurora
A onda que bate da pedra
Um dia seguido por outro
Num tic tac constante
Tudo certo, tudo distante
Um tempo que já lá vai
Não espera pela noite que cai
Na cegueira de certeza
Não esperei pela dureza
Da porta que chia ao bater.
Não percebi que as palavras de calaram nos lábios
Que os olhos perderam cor e o rosto ficou triste
Eu não te via quanto estavas, só te notei quanto partiste.
Papoila
13 Abril 2012
16 Setembro 2010
Malta
Onde é que em pouco mais de 300 metros quadrados se juntam praias lindas, histórias de batalhas, heróis, fugas e esconderijos secretos, romanos e um sem fim de informação e arquitectura majestosa? Malta!
Sete dias não chegam para ver tudo de fio a pavio, mas como em férias se querem almoços preguiçosos e momentos de ócio nas esplanadas e à beira mar, fazem-se escolhas!
As fachadas sumptuosas e os interiores mergulhados no puro barroco contrastam com a dureza dos campos, mesmo assim ricos em vinha.
Malta é por estes dias um país em ebulição. Nos anos iniciais de integração na União Europeia, os andaimes avançam vitoriosos, prometendo uma revolução nos próximos anos, fazendo recordar Portugal dos anos 90. Melhor sorte para os malteses...
Fotos aqui.
20 Abril 2010
Um país onde tudo é normal

Vivemos num país onde tudo é normal. Chegam à praça pública casos de corrupção, tráfico de influências, trocas de favores, má gestão dos dinheiros públicos, negócios de milhões mal explicados e onde desaparecem milhões sem se perceber para onde. Um estado que celebra contratos danosos atrás de contratos danosos, sem que ninguém se preocupe muito com isso. Vivemos num país onde a justiça não funciona, o que deixa uma enorme margem de impunidade para todos os casos referidos. Não vale a pena cumprir a lei porque todos sabem que não há consequências para quem não a cumpre, desde que haja dinheiro e influências.
Vivemos num país que já se habituou a conviver com salários simbólicos, discriminação, cunhas e compadrios e que não se preocupa muito com isso. No café não faltam as bocas e as ameaças, mas nunca passam disso mesmo. Vivemos num país de futebol podre, mas que apenas incomoda os adeptos das equipas que perdem.
Vivemos num país onde custa tanto não aceitar este estado de democracia oca, que mais vale achar…que tudo isto é normal.
Vivemos num país que já se habituou a conviver com salários simbólicos, discriminação, cunhas e compadrios e que não se preocupa muito com isso. No café não faltam as bocas e as ameaças, mas nunca passam disso mesmo. Vivemos num país de futebol podre, mas que apenas incomoda os adeptos das equipas que perdem.
Vivemos num país onde custa tanto não aceitar este estado de democracia oca, que mais vale achar…que tudo isto é normal.
Anda tudo preocupado com a nuvem de cinza do vulsão da Islândia, esquecidos do cinzento que se abate há tantos anos neste nosso país.
19 Abril 2010
O melhor de dois mundos
Eu quero as ruas de Lisboa, Paris, Londres ou Barcelona
Mas quero os recantos bucólicos da minha serra.
Eu quero estar no centro do mundo, dos espectáculos
Onde a vida e a novidade acontecem
Mas anseio pelos momentos onde percorro, lentamente
Aqueles caminhos do tempo dos avós dos meus avós
Onde os musgos e as pedras murmuram a passagem lenta e inalterada dos tempos.
Eu quero viver a vida sofregamente
Beber as luzes e os movimentos rápidos das grandes metrópoles
Onde sabemos que encontramos o dia de amanhã ao virar da esquina.
Mas quero deitar-me no topo da minha serra
Ver as luzes da lezíria a cintilar
Com a certeza que no mundo não encontro nada de mais belo.
Eu quero o tudo do nada,
As certezas, as dúvidas, os anseios.
Viver rápido,
Mas ao mesmo tempo mastigar cada dia da vida
Como de fosse único e irrepetível.
Eu quero tudo, eu quero nada,
Eu quero o melhor de dois mundos.
Papoila
Há dias assim...
O que há em mim é sobretudo cansaço
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos
18 Novembro 2009
Para os tugas, uma selecção tuga
Hoje, a selecção nacional lá ganhou a uma Bósnia furiosa. Mérito dos jogadores e do tão controverso seleccionador.
É curioso como a nossa selecção de futebol consegue encarnar tão bem o espírito tuga. Dois exemplos:
- Tuga gosta do que é estrangeiro. Se é português não presta, quando vem de fora fica logo com outra classe. Já são três, não é?
- Um português puro sangue gosta mesmo é de filas de últimos dias para entrega de IRS, compras de Natal no dia 24. As coisas têm sempre mais encanto quando são feitas no último momento possível, se possível cinco minutos mais tarde. E agora andava tudo a queixar-se por a selecção ter de ir aos play-off? Porquê? Tirar-nos mais 90 minutos de sofrimento e uma viagem fantástica a uma simpática cidade da Bósnia, com gente hospitaleira e condições de luxo?
As coisas querem-se suadas!
Sofrimentos e tuguices à parte, lá vamos nos para a África do Sul. E ainda bem, senão como é que a malta tirava o cheiro a mofo das t-shirts, bandeiras e todo o patriotismo que está a dormir no armário desde o ano passado?
É curioso como a nossa selecção de futebol consegue encarnar tão bem o espírito tuga. Dois exemplos:
- Tuga gosta do que é estrangeiro. Se é português não presta, quando vem de fora fica logo com outra classe. Já são três, não é?
- Um português puro sangue gosta mesmo é de filas de últimos dias para entrega de IRS, compras de Natal no dia 24. As coisas têm sempre mais encanto quando são feitas no último momento possível, se possível cinco minutos mais tarde. E agora andava tudo a queixar-se por a selecção ter de ir aos play-off? Porquê? Tirar-nos mais 90 minutos de sofrimento e uma viagem fantástica a uma simpática cidade da Bósnia, com gente hospitaleira e condições de luxo?
As coisas querem-se suadas!
Sofrimentos e tuguices à parte, lá vamos nos para a África do Sul. E ainda bem, senão como é que a malta tirava o cheiro a mofo das t-shirts, bandeiras e todo o patriotismo que está a dormir no armário desde o ano passado?
03 Setembro 2009
Como eu queria falar contigo...
Como eu queria falar contigo…
Estás sentado no baloiço, de sorriso na cara, ou com um ar zangado, indiferente ao que te digo. Sempre pronto a dar-me um beijo percorres com os dedos as linhas do meu corpo, como que à descoberta desta pessoa que te rodeia e que te pede atenção.
Como eu queria falar contigo…
Corres, voltas para traz, corres novamente. Não estás interessado no que te trago. Mexes, observas, mas quase sempre colocas a um canto. Não fui capaz de perceber o que realmente te interessa. Não consegues dize-lo ou talvez eu não consiga perceber os teus sinais. É uma angústia que me esmaga o peito, que me torna impotente, incapaz de satisfazer as tuas necessidades e desejos.
Como eu queria falar contigo…
A comunicação é aquilo que me define. Nasci para comunicar, para falar, escrever, criar. A essência é comunicar por mensagens, acções, imagens.
Ironia do destino, és das pessoas mais especiais para mim e não consegues comunicar. Espero que não sejas infeliz por isso, possivelmente serás… Tudo o que queria era poder saber como te sentes, o que te faz falta e como podes ser feliz.
Sonho de noite com uma conversa demorada, deitados num parque relvado, a olhar o céu e a falarmos da vida. De coisa banais, de coisas imaginárias, disparates. Queria conhecer-te melhor, queria que tu me conhecesses melhor. Queria que soubesses que te adoro, assim, especial como és!
Como eu queria falar contigo…
Estás sentado no baloiço, de sorriso na cara, ou com um ar zangado, indiferente ao que te digo. Sempre pronto a dar-me um beijo percorres com os dedos as linhas do meu corpo, como que à descoberta desta pessoa que te rodeia e que te pede atenção.
Como eu queria falar contigo…
Corres, voltas para traz, corres novamente. Não estás interessado no que te trago. Mexes, observas, mas quase sempre colocas a um canto. Não fui capaz de perceber o que realmente te interessa. Não consegues dize-lo ou talvez eu não consiga perceber os teus sinais. É uma angústia que me esmaga o peito, que me torna impotente, incapaz de satisfazer as tuas necessidades e desejos.
Como eu queria falar contigo…
A comunicação é aquilo que me define. Nasci para comunicar, para falar, escrever, criar. A essência é comunicar por mensagens, acções, imagens.
Ironia do destino, és das pessoas mais especiais para mim e não consegues comunicar. Espero que não sejas infeliz por isso, possivelmente serás… Tudo o que queria era poder saber como te sentes, o que te faz falta e como podes ser feliz.
Sonho de noite com uma conversa demorada, deitados num parque relvado, a olhar o céu e a falarmos da vida. De coisa banais, de coisas imaginárias, disparates. Queria conhecer-te melhor, queria que tu me conhecesses melhor. Queria que soubesses que te adoro, assim, especial como és!
Como eu queria falar contigo…
31 Agosto 2009
Sou adepta de novas tecnologias que permitem esta comunicação 2.0 fantástica. Mas há coisas que irritam:
- A internet torna as pessoas miseráveis, porque grande parte de post´s, twet´s e afins são lamentações, críticas e frases pseudo eruditas.
- Temos amigos, sabemos tudo sobre a vida deles, mas, se nos cruzamos com essas pessoas na rua não temos uma palavra para dizer, nem interesse...
- Estamos mais perto de informação, do mundo, de toda a gente, mas a iniciar alterações no relacionamento humano, cujas consequências só veremos, a sério, nas próximas gerações.
- O mundo e o conhecimento está à distância de um clique, mas a ignorância, a intolerância e outras ânsias continuam a imperar.
conclusão:
A possibilidade de comunicarmos mais não nos coloca a comunicar melhor.
O acesso à comunicação e informação não nos torna pessoas melhores ou mais felizes.
Lá que são conclusões e reflexões óbvias, lá isso são, mas continuam a irritar-me e a preocupar-me.
- A internet torna as pessoas miseráveis, porque grande parte de post´s, twet´s e afins são lamentações, críticas e frases pseudo eruditas.
- Temos amigos, sabemos tudo sobre a vida deles, mas, se nos cruzamos com essas pessoas na rua não temos uma palavra para dizer, nem interesse...
- Estamos mais perto de informação, do mundo, de toda a gente, mas a iniciar alterações no relacionamento humano, cujas consequências só veremos, a sério, nas próximas gerações.
- O mundo e o conhecimento está à distância de um clique, mas a ignorância, a intolerância e outras ânsias continuam a imperar.
conclusão:
A possibilidade de comunicarmos mais não nos coloca a comunicar melhor.
O acesso à comunicação e informação não nos torna pessoas melhores ou mais felizes.
Lá que são conclusões e reflexões óbvias, lá isso são, mas continuam a irritar-me e a preocupar-me.
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